Maurício Businari
Colaboração para o UOL
15/10/2022 18h38
A polícia paraguaia está procurando por um estudante brasileiro desaparecido há 12 dias no país. Antonio Augusto Streski Manjinski, 25, cursava o último ano de medicina na Umax (Universidade Maria Auxiliadora) e foi visto pela última vez em 4 de outubro, no município de Mariano Roque Alonso. A mãe do estudante, Isabel, viajou dos EUA até o Paraguai para ajudar a polícia nas buscas pelo rapaz.
O MP (Ministério Público) paraguaio expediu esta semana uma ordem de busca e localização do rapaz, cujo paradeiro é desconhecido. O Comando Nacional da Polícia do país também foi informado da ordem emitida pelo MP, para que as buscas alcancem todas as delegacias das comarcas e municípios.

O jovem morava em um apartamento em Loma Pytá, um populoso bairro de Assunção, capital do país. Segundo apurou o jornal local La Nación, colegas do jovem disseram à polícia que ele está incomunicável e todos os seus pertences foram deixados em seu apartamento, como celular, documentos, roupas e dinheiro.
A denúncia de seu desaparecimento foi registrada na Delegacia Metropolitana 22 por seus amigos. Segundo a polícia, parentes de Manjinski chegaram esta semana ao Paraguai, para iniciar a busca por seu familiar, que teria sido visto dias depois em Limpio, cidade a 23 quilômetros de distância de Assunção, mas esse fato não foi corroborado.
O UOL conseguiu falar com a mãe de Antônio Augusto, Isabel Streski, que está no país vizinho tentando encontrar informações sobre o filho. Desde o seu desaparecimento, ela vem divulgando posts nas redes sociais cobrando uma postura mais ativa das autoridades dos dois países e até da Umax, universidade onde o filho estudava.

Isabel visitou a Umax várias vezes e conseguiu mobilizar colegas e amigos do filho a pressionarem a diretoria da universidade e também as autoridades paraguaias, publicando posts nas redes com a hashtag #TodosPorAugusto. Agora a diretoria criou folhetos e cartazes, que estão sendo distribuídos entre alunos e também nas ruas de Assunção.
“Até onde se sabe, estava tudo bem com o meu filho. Ele está numa fase ótima. Ele é atleta, muito disciplinado. Cursando o último ano de faculdade, se preparando para iniciar um novo relacionamento, não há motivos para explicar o seu desaparecimento”, afirmou.
Isabel contou que o jovem, assim como milhares de estudantes brasileiros, foi cursar medicina no Paraguai por conta dos custos das mensalidades, que são muito menores do que os das faculdades brasileiras.
Uma publicação compartilhada por Isabel Streski (@isabelstreski)
“Nossa família se mudou toda para o Paraguai. Eu, meu marido, Augusto e o irmãozinho dele. Tudo ia muito bem, até que a pandemia surgiu. Perdi meu emprego. Como a vida de Augusto já estava mais estruturada, retornamos ao Brasil, mas foi difícil conseguir trabalho também. Então nos mudamos para Atlanta, nos EUA. Tudo para conseguirmos nos sustentar e pagar o curso de medicina”.
Isabel estava nos EUA quando soube do desaparecimento do filho. “Nos falávamos todos os dias, por áudio, por vídeo. Somos muito ligados, ele é muito carinhoso. Uma das últimas coisas que ele disse para mim, foi que ele se sentia até um pouco embaraçado pela ajuda que eu dava para ele. E que um dia ele seria capaz de me encher de orgulho”.
Ele foi visto por uma vizinha no dia 3, sentado na porta de casa e fazendo anotações em um caderno. No dia seguinte (4), terça-feira, ele foi flagrado por câmeras de segurança do condomínio caminhando na rua. Essa foi a última vez que Augusto foi visto.
Desde que Augusto desapareceu, ela checa todas as pistas que recebe. “Até nas cracolândias daqui já fui. Mas o delegado descartou para mim que ele estivesse envolvido com drogas. Esses últimos dias foram um inferno. Mas não saio daqui sem meu filho”, afirmou.
Isabel espera agora que as autoridades do Brasil e do Paraguai sejam mais ativas nas buscas pelo estudante. Ela diz que, até o momento, não recebeu uma ligação sequer do consulado brasileiro, apesar da família ter contatado o escritório algumas vezes. O UOL entrou em contato com o Itamaraty, para buscar um posicionamento, mas até o momento o órgão não havia respondido.
“Às vezes as coisas acontecem com a gente por uma razão. Tenho ouvido muitas histórias terríveis sobre os jovens brasileiros que vêm estudar no Paraguai. Quem sabe não esteja na hora das autoridades dos dois países olharem com mais atenção sobre esse problema? São muitas mães desesperadas, muitos jovens sofrendo”, declarou.
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