Imprensa internacional destaca importância das eleições presidenciais deste ano
A imprensa internacional destaca neste domingo (2/10) a magnitude das eleições brasileiras e suas possíveis consequências para a democracia do país e da América Latina.
O diário francês Le Monde descreve a disputa entre o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva como um "duelo de Titãs", afirmando que o pleito opõe "as duas maiores figuras políticas do país".
"Um duelo tão histórico quanto perigoso, em um país polarizado e eletrificado como nunca antes," nota o correspondente do jornal no Rio. "Entre Bolsonaro e Lula, a escolha decisiva sob tensão."
Segundo o americano Washington Post, "após anos de expectativa, a votação se resume a uma decisão entre gigantes políticos messiânicos com enormes seguidores que são alvos de desconfiança – e desdém – de grandes porções do eleitorado. Cada um carrega uma bagagem extraordinária."
É a primeira vez na história do país que um presidente enfrenta um ex-ocupante do Planalto.
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Em Portugal, maior colégio eleitoral no exterior, o Diário de Notícias descreve a eleição como uma disputa entre "a metamorfose ambulante e o Trump dos trópicos". A reportagem do diário português diz que Lula havia usado a canção de Raúl Seixas para se referir à sua trajetória de vida, de origens humildes no sertão de Pernambuco a líder operário no ABC paulista, culminando com a Presidência em Brasília.
O espanhol El País afirma que, se vencer as eleições, Lula retornará ao poder "pela porta da frente".
O argentino Clarín afirma que a votação é "histórica" e "concentra o olhar de toda a região." Um dos destaques é a sinalização de Lula de um "interesse por retomar a liderança sul-americana, onde algumas economias estão sucumbindo, entre elas a da Argentina."
O também argentina La Nación traz uma análise de Ines Capdevila, que observa "o fenômeno da repetição de líderes e ideias" em eleições tanto no Brasil quanto na Argentina. Segundo Capdevila, essa ideia "se baseia e ao mesmo tempo alimenta o personalismo e a polarização que a Argentina pratica há alguns anos mais do que seu vizinho." Em ambos os países, muitos eleitores estão votando contra um candidato, não necessariamente por um deles.
Adaptação de premiado podcast da BBC ‘Things Fell Apart’, de Jon Ronson.
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Reportagens publicadas neste domingo e ao longo da semana alertaram para o risco de desordem após às eleições, motivadas pelas ameaças de Bolsonaro às instituições democráticas caso o resultado não lhe seja favorável.
Uma análise publicada no New York Times no dia 28 de setembro ressalta o papel das polícias militares em restaurar a ordem nesses casos. "Se o presidente do Brasil tentar um golpe, o que a polícia vai fazer?" questiona a reportagem. O texto observa, entretanto, que apesar de manter "relações amigáveis" com os militares, Bolsonaro "parece não ter o apoio institucional de que ele necessitaria para dar um golpe."
Já o diário britânico Guardian ecoa neste domingo temores de que uma derrota do presidente leve seguidores exaltados a atentar contra instituições da república, como o Congresso e o STF. Segundo o jornal, "temores de que uma disputa de segundo turno resulte em semanas de turbulência e violência."
– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63110524
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