Felipe Souza – @felipe_dess – Da BBC News Brasil em São Paulo
28/09/2022 05h08
“Eu sempre fui petista a vida toda. Um fã de Lula, da história dele. Depois, eu deixei de ser petista para ser seguidor do Lula porque a ideologia do partido mudou muito. Mas quando ele se juntou com o Alckmin me fez repensar”, diz o locutor Edinho Meirelles.
A poucos dias das eleições, ainda há eleitores trocando o voto para presidente da República. O locutor e produtor musical Edson Santos de Andrade, que prefere ser chamado de Edinho Meirelles, decidiu nas últimas semanas que não votaria no PT, como fez nas últimas eleições.
Neste ano, decidiu nas últimas semanas, votar em Jair Bolsonaro (PL). Questionado, ele explica os motivos da guinada à reportagem da BBC News Brasil.

"Eu sempre fui meio petista a vida toda. Um fã de Lula, da história dele. Depois, eu deixei de ser petista para ser seguidor do Lula porque a ideologia do partido mudou muito. Mas quando ele se juntou com o Alckmin, isso me fez repensar. Os dois caras que viviam se xingando, têm ideologias totalmente diferentes e o Lula só fez isso para poder ganhar o colégio eleitoral paulista que o PT não tem. O Alckmin é um zero à esquerda", afirmou.
Na mesma casa, uma tia sua (que não será identificada pela reportagem) teve uma decisão exatamente oposta.
Em 2018, ela discutia com Edinho porque ele votou no petista Fernando Haddad e ela, em Jair Bolsonaro. Em conversa com a reportagem, ela disse que respeita a opinião do sobrinho, mas não quer reeleger o atual presidente.
"Nós precisamos de um presidente que olhe e trabalhe pelo povo. Não de um cowboy do asfalto que passa a maior parte do tempo fazendo motociata. Me decepcionei (com Bolsonaro) em todos os sentidos", afirmou ela.
Morador de Caieiras, na Grande São Paulo, Edinho Meirelles diz ter votado durante toda a vida em candidatos do PT, inclusive em 2018, quando quis eleger Fernando Haddad. Mas desta vez está convicto de que Jair Bolsonaro (PL) é a melhor opção para o país.
"Eu passei a vida inteira vendo o PT como uma bandeira que ajuda os menos favorecidos. E hoje eu não vejo mais. Ainda mais quando ele se junta com Alckmin, que é burguês. Como eu vou entender uma aliança dessa?", questiona.
Edinho diz que sempre foi "anti-bolsonarista" e fazia uma oposição ao atual presidente de maneira radical. Hoje, ele diz que o enxerga como um político que não conseguiu colocar suas políticas em prática, atrapalhado pelo Congresso e Superior Tribunal Federal (STF).
Ele afirma que, entre os exemplos de políticas que Bolsonaro tentou implantar e não conseguiu estão a diminuição dos radares móveis e acabar com alguns impostos, mas não conseguiu porque "o centrão não aprova nada".
"Eu votaria no Ciro Gomes ou Simone Tebet, que apresentam propostas viáveis, mas não tem chances de chegar. Dessa maneira, eu sou mais Bolsonaro, que tem boas pautas em economia e segurança", afirmou.
Edinho diz que votar em Bolsonaro não o impede de ter diversas críticas contra o presidente. Os principais, no ponto de vista dele, são o Auxílio Brasil e as relações internacionais.
"Ele não tem nenhuma diplomacia. É um cara que diz defender a família, mas não respeita os sentimentos dos familiares vítimas de covid. Fala muita besteira. Mas uma das maiores falhas é o aumento gigante do auxílio para comprar votos e se apoiar nisso. Está transformando a população em acomodados", afirma.
O produtor musical ainda faz duras críticas à constante desconfiança de Jair Bolsonaro no sistema eleitoral brasileiro.
"Essa é outra grande besteira. Ele (Bolsonaro) vive de política há mais de 30 anos e nunca contestou as urnas. Ele é hoje presidente eleito por essas mesmas urnas e fica falando essas coisas sobre as eleições. Isso pode gerar uma guerra civil enorme", diz.
Ao ser questionado pela reportagem para que fizesse um paralelo entre os governos Lula e Bolsonaro, Edinho diz que o momento econômico na era petista era muito mais favorável.
"Financeiramente falando, minha vida no governo Lula era 100 vezes melhor. Hoje, o grande ganha muita coisa e o pequeno continua desfavorecido. Mas o meu maior medo hoje é o Lula ser eleito e o Alckmin dar um golpe e assumir a presidência", relata.
Edinho diz ainda que não vê possibilidade de uma vitória de Bolsonaro, pois não há tempo para uma virada, baseado nas últimas pesquisas. Segundo o Instituto Ipec, Lula tem 52% dos votos válidos contra 34% de Bolsonaro, o que pode decidir as eleições ainda no primeiro turno.
"Só espero que, se o Lula ganhar, ele faça o que ele realmente promete e não ficar apenas na falsa esperança de melhoria", diz.
Apesar das diferenças políticas dentro de casa, Edinho conta que ele e a tia não brigam por causa das eleições.
"Tive amigos que se afastaram por causa disso. Hoje, minha família é dividida. A minha tia que vai votar no Lula diz que eu não estou entendendo nada. Eu tirava muito sarro dela em 2018. E agora a gente tira sarro um do outro de novo. Eu só torço pelo nosso melhor".
– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63003327
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