Do UOL, em São Paulo
13/10/2022 09h55Atualizada em 13/10/2022 11h02
Briner de César Bitencourt, 22, o jovem que morreu no dia em que recebeu o alvará de soltura no Tocantins, reclamava para a família de dores abdominais há mais de duas semanas, durante as visitas na Unidade Penal de Palmas, em Tocantins. Segundo a irmã, Beatriz Sampaio, 27, Briner chegou a dizer mais de uma vez para a mãe durante que não estava conseguindo comer. A última conversa entre os dois ocorreu no dia 18 de setembro.
“Minha mãe era a única que podia visitar ele, por questões burocráticas da prisão. Quando ela visitava, ele reclamava que não conseguia comer, que sentia dor abdominal, mas nada muito insuportável. Ele tentava se mostrar forte para a minha mãe, para ela não ficar preocupada, porque ele já se sentia muito culpado por estar lá”, contou Beatriz, ao UOL.

A próxima visita da mãe estava programada para ocorrer no dia 22 de outubro. Na última conversa, em setembro, Briner disse que estava bem, mas voltou a dizer que não estava conseguindo comer direito. “A piora dele foi nesse mês. A minha mãe ainda não tinha visitado ele”. Ninguém foi informado sobre o estado de saúde dele durante as duas semanas em que ele passou mal na prisão.
No domingo (9), ele foi levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da região Sul, mas teve a morte declarada no local após algumas horas, às 4h30 da segunda-feira (10). Também na segunda-feira, às 15h40, a Central de Alvarás de Soltura da Polícia Penal do Tocantins recebeu o pedido de liberdade de Briner, que já estava morto.
“Ele era um menino muito palhaço, gostava de fazer as pessoas rirem. Um excelente tio, irmão, filho. Era o xodó da minha mãe porque era o único filho homem. Ele amava muito a vida e era muito querido e amigo da gente”, conta Beatriz, que ainda tem mais duas irmãs mulheres.
Briner foi preso em 12 de outubro de 2021, quando policiais encontraram uma estufa com plantas de maconha nos aposentos de outra pessoa que vivia na casa em que ele alugava um quarto. Ele e outras duas pessoas foram levadas à delegacia e presas, segundo a advogada do jovem, Lívia Machado Vianna.
A casa na qual Briner morava, de acordo com a advogada, era uma espécie de “república” e o quarto dele não tinha ligação com outros aposentos. No entanto, Briner foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva, permanecendo um ano em detenção.
A defesa de Briner provou a inocência dele, mas a família reclama que a decisão do juiz demorou a sair: ela foi protocolada no dia 7 de outubro, uma sexta-feira. A condenação das outras duas pessoas detidas com Briner foi mantida.
“Houve uma audiência há meses. O juiz ouviu todas as partes, ouviu a defesa, mas não proferiu a sentença de imediato. Demorou muito tempo e só veio sair na sexta-feira (7), muito tempo depois”, diz Beatriz.
A família agora quer acionar novamente a Justiça para entender o que ocorreu com Briner. “A suspeita é de que houve negligência da parte do Estado e a gente quer Justiça”, afirma a irmã.
Até o momento, a causa da morte ainda não foi informada. A polícia aguarda laudos periciais para continuar as investigações.
Em nota, a Seciju prestou condolência aos familiares e disse que disponibilizou auxílio aos parentes de Briner no funeral do jovem. O órgão também afirmou que “todos os procedimentos referentes a atendimentos de saúde do referido custodiado, avaliações de quadro clínico e encaminhamentos para unidades de saúde foram disponibilizados a fim de prezar pela saúde do custodiado”.

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