Thiago Varella
Colaboração para o UOL
14/10/2022 12h52
A visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Santuário de Aparecida na última quarta-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, foi cercada de episódios polêmicos. Ele foi criticado pelos religiosos por transformar sua ida à missa em evento de campanha e viu seus apoiadores perseguirem jornalistas e pessoas vestidas de vermelho.
Veja a seguir o que aconteceu e o que pode ser visto como desrespeito no dia da Padroeira do Brasil.

Durante a tarde, em frente à Basílica Histórica de Aparecida, um grupo de apoiadores do presidente Bolsonaro vestindo verde e amarelo perseguiu um cinegrafista da TV Vanguarda, afiliada da Globo na região do Vale do Paraíba, que estava cobrindo o evento.
Um ataque, com ofensas e palavrões, em frente a uma igreja já seria desrespeitoso. No entanto, isso ocorreu no dia de Nossa Senhora Aparecida, no momento em de celebração dentro da basílica.
Bolsonaristas também foram flagrados xingando outros jornalistas, inclusive do UOL e do SBT.
Para piorar, as imagens do incidente mostram que alguns bolsonaristas bebiam cerveja no local em um clima que nada se assemelhava ao de um dia santo.
Em uma das cenas, um homem mostra uma caneca de cerveja com a imagem do presidente e grita: “Deus está aqui, olha!”, apontando para a imagem de Bolsonaro.
Também na Basílica Histórica, diariamente, às 15h, ocorre a Consagração à Nossa Senhora Aparecida, um momento de fé e oração. No feriado, esse evento religioso ocorria enquanto os apoiadores esperavam o presidente Bolsonaro do lado de fora.
A cerimônia foi interrompida por vaias ao padre celebrante, o missionário redentorista Camilo Júnior. Foram feitas por quem estava do lado de fora.
Ao fim da consagração, o religioso afirmou que aquele não era o momento de pedir de voto, mas de “pedir bênção” à santa.
“Parabéns a você que está aqui dentro da Basílica, rezando. Você que entendeu que hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida. É a ela as nossas palmas, é a ela a nossa aclamação, é a ela o nosso ‘viva'”, disse.
Quando entrou na Basílica para participar da missa, Bolsonaro foi recebido com aplausos e gritos de mito, por alguns apoiadores, além de algumas vaias. Por causa do barulho, o padre Eduardo Ribeiro, que conduzia a cerimônia, precisou pedir silêncio ao público para dar início à missa.
“Silêncio na basílica. Prepare o seu coração, viemos aqui para rezar”, afirmou o padre.
No entanto, a maior prova de clima eleitoral se deu na saída de Bolsonaro do Santuário de Aparecida, quando ele colocou parte do corpo para fora de uma caminhonete, com as sirenes acionadas, e acenou para o público.
Muitos católicos viram as cenas de Bolsonaro sendo chamado de “mito” enquanto saúda seus simpatizantes como a idolatria a um homem. O foco, que deveria estar voltado a Nossa Senhora Aparecida, acabou desviado ao presidente.
Um vídeo bastante compartilhado nas redes sociais mostra pessoas de verde e amarelo perseguindo um rapaz que vestia vermelho dentro do complexo do Santuário de Aparecida.
A violência dessa cena chocou os católicos, que consideram que o local sagrado, perto de onde a imagem original de Nossa Senhora Aparecida está exposta, não é lugar de perseguição, raiva ou ódio.
Para os católicos, todos os fiéis são bem-vindos ali, estejam vestindo as cores que forem. E, claro, independentemente de suas preferências políticas.
Segundo levantamento da Palver, empresa que analisa a interação das pessoas no WhatsApp, os eventos desrespeitosos aos católicos geraram um impacto ruim para a campanha do candidato à reeleição.
Os incidentes citados foram muito criticados por religiosos, leigos católicos e jornalistas.
No Twitter, Dom Mauro Morelli, bispo emérito da Diocese de Luz, em Minas Gerais, disse que Bolsonaro “se comportou como agente de Satanás”.
Bolsonaro em Aparecida comportou-se como Agente de Satanás. Desrespeitou a Mãe de Jesus e seus outros filhos e filhas, peregrinos famintos de vida com dignidade e esperança. Com seus endiabrados seguidores deveriam ser presos em flagrante como arruaceiros. São Miguel, cuidado!
Também no Twitter, frei Lorrane Clementino, frade menor da Ordem dos Frades Menores na Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, chamou a “bagunça em Aparecida” de terrorismo.
É revoltante ver as imagens dos bolsonaristas fazendo uma verdadeira bagunça no Santuário de Aparecida. Vaiaram padres, agrediram cinegrafistas. É um verdadeiro terrorismo. Pensam que lá é a casa da mãe Joana. Devo dizer: parece mesmo é com o Apocalipse, com a presença da besta.
Em artigo publicado no UOL, o professor Vinícius Rodrigues Vieira, que é doutor em relações internacionais por Oxford e católico, disse que a Basílica de Aparecida foi “profanada por covardes vestidos de amarelo, que adoram não o Deus feito homem no ventre de Maria, mas o vendilhão do templo da democracia”.
Já a colunista do UOL, Madeleine Lacsko, escreveu que Bolsonaro levou à Aparecida o “Evangelho segundo Tarantino”.
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